Pensamentos



"A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor." ALBERTO DINES


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A conquista da mulher


Esther Louro e Maria da Graça Siqueira

Histórias de mulheres que fazem trabalho de homem não é exclusividade de tramas da TV. Elas dão conta de cuidar da casa e dos filhos e ainda enfrentam contratempos e exigências de profissões tradicionalmente masculinas. E, apesar das dificuldades, elas gostam de seus ofícios.  “A homenagem feita pela revista Perfil Mulher, onde recebi o troféu Prêmio Top Performance 20 Mulheres de Sucesso, foi a que mais me emocionou”, afirma Maria de Fátima Rezende, 50 anos. 


        Atualmente residindo em Pelotas, onde cursa Nutrição na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a Capitão Maria de Fátima foi entrevistada na segunda (31). Em Taubaté (SP) está sua família, habituada com suas corajosas escolhas, torcendo para que obtenha sucesso em sua nova decisão. Destemida desde os 22 anos, quando entrou para a carreira militar, nunca pensou em desistir e hoje se considera feliz mesmo longe dos filhos, com quem mantém contato diário. Cursar a faculdade tão longe de casa, conviver com colegas com menos da metade de sua idade e começar de novo, são desafios que enfrenta com um sorriso.
        Sobre estar fazendo o trabalho, que normalmente é feito por um homem, afirma que “Sentia-me assim inicialmente, quando o número de policiais militares femininos era bastante reduzido, mas com o tempo isso aí foi sendo visto de uma forma mais natural pela população. Na verdade o que sentia de diferente era um certo preconceito pelos próprios colegas de trabalho.”


 
      Sabemos que as mulheres, independente do trabalho que executam, ainda dividem-se nas tarefas do lar, como esposa e mãe. Fátima não é diferente, e nos diz que “Não foi mais difícil porque o meu marido era policial militar também. Então com relação ao entendimento da carreira em si foi fácil administrar. Com relação aos filhos eu tive apoio da minha sogra. Eu morava nos fundos da casa da minha sogra, então tive bastante apoio dela e da minha irmã que também morava por perto. O único problema na verdade, era que eu assumia compromisso com os meninos e de última hora tinha de desmarcar tudo isso. Teve até uma certa vez em que eu estava sentada numa pizzaria, depois de várias vezes de marcar e desmarcar, meu celular tocou e fui informada de um homicídio. Era uma ocorrência grave na minha área de atuação, e simplesmente avisei que eu estava acabando de entrar em serviço e que eles aproveitassem a pizza por eles e por mim também.”
“Profissional exemplar, ela dá o sangue no que faz e sente prazer em trabalhar na polícia militar. São poucas as mulheres que podemos chamar de exemplo” diz o Coronel Lamarke, que além de amigo é seu comandante. Já a amiga Maria Tereza nos informa que Maria de Fátima é muito admirada pelos civis que a conhecem e por seus subordinados.
Ao final da entrevista Fátima fez questão de agradecer.  “Muito obrigada pela oportunidade de relembrar um pouquinho da minha história”. Essa é a Capitão que faz a diferença na Polícia Militar de Taubaté (SP).


        Conversamos também com Fernanda Araújo de 25 anos, Agente de Trânsito no Município de Rio Grande há 15 meses. Ela, por sua vez, deixou claro que há sim preconceito e discriminação pelo fato de ser mulher. A Agente que escolheu a profissão por gostar de trânsito, nos conta que muitos são os desafios na profissão. Além da reação muitas vezes pouco amigável dos condutores, há ainda a desvalorização e a falta de incentivo por parte da gestão municipal.
        Outro fator relevante em sua atividade trata-se do preconceito velado ou não dos colegas e das pessoas em geral, fato que é marcante no dia-a-dia da funcionária municipal. Fernanda diz notar que o preconceito é muito maior dentro de seu círculo, seja por colegas ou superiores, do que entre a população em geral. Muitas mulheres demonstram admiração por vê-la exercendo uma função predominantemente masculina.
        São muitas as pressões e comparações que lhe são impostas em seu trabalho. Ela sente que por mais que exerça sua função perfeitamente, para seus colegas machistas ela nunca será tão boa quanto um homem (o que deixa claro que erroneamente o sexo em muitos locais é mais importante do que a habilidade e a competência profissional). 
        Mas também há o lado bom de sua função. Para ela, as ações mais gratificantes são: conseguir ajudar as pessoas, ao desembaraçar uma ocorrência em que os dois lados afetados saiam satisfeitos e também o trabalho de educação para o trânsito realizado com as crianças.  Para finalizar, a Agente transparecendo sua feminilidade disse que realmente o que mais gratifica é ser retribuído com “um muito obrigado sincero”.   
        Cada vez mais as mulheres acabam por ocupar os mais diversos cargos no ambiente profissional. Muitos deles outrora ocupados exclusivamente por homens, quebrando paradigmas e expondo os preconceitos criados pela sociedade.
        Já é comum a presença feminina nas forças militares, nos poderes judiciário e legislativo e mais recentemente no mais alto posto executivo, ocupado pela primeira Presidente do Brasil, Dilma Roussef. Porém, não há como negar que certas profissões ainda são tidas como masculinas, mas as mulheres que as exercem, com certeza, a consideram mais uma conquista.



UFPel terá seu hospital universitário


Depois de anos no papel, projeto finalmente foi aprovado

Ezekiel Dall'Bello

        A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) nunca escondeu seu sonho de ter um Hospital Universitário. Outubro de 2011 ficará lembrado como o mês em que o objetivo de décadas da instituição finalmente foi alcançado. O prédio, orçamentado em R$ 121 milhões, será construído ao lado do Ambulatório da Faculdade de Medicina (foto).

Ambulatório de Medicina ficará ao lado do hospital
        No dia 27 de Outubro, o Dr. Celso Araújo, coordenador-geral de Hospitais Universitários do MEC, veio até Pelotas para aprovar a construção. O projeto foi entregue em mãos pelo reitor César Borges e, posteriormente, recebeu a liberação de recursos para a obra.
        Até dezembro deverão ser concretizadas todas as questões técnicas e burocráticas pendentes para a construção. A prioridade na obra é erguer, inicialmente, um bloco destinado a pacientes com câncer. Ao todo, o Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas terá 370 leitos.
        César Borges ressaltou que vem trabalhando há quase 30 anos com colegas da própria Faculdade de Medicina, além do curso de Enfermagem e da administração da Reitoria, para que este sonho se concretizasse. Ele enfatizou a certeza do sucesso da obra. “No período de três anos esta grande obra está em pleno funcionamento”, afirmou.
        O reitor, em tempo, lembrou que o Hospital Universitário era um antigo desejo do professor Naum Keisermann, fundador e primeiro diretor da Faculdade de Medicina, recentemente falecido.

O que a comunidade disse?

Bruna Sedrez, 17 anos, estudante de Letras:

“Eu acho que já estava mais do que na hora. A UFPel é uma das maiores universidades do estado, merece uma obra de tal grandeza. É o que estava faltando na Faculdade de Medicina. Pena que não veio antes.”

Eduardo Lima, 20 anos, estudante de Ciências Sociais:

“O Hospital só vem a contribuir para a universidade. Além de ajudar os alunos de Medicina, Enfermagem, Psicologia e outros cursos nas suas práticas, ainda será uma opção a mais para os pelotenses, que tanto sofrem com o sistema público de saúde.”

Vinícius Trevizan, 21 anos, estudante de Relações Internacionais:

“Eu acho tudo isso muito bom, mas também acredito que a universidade tem problemas muito maiores a resolver do que o Hospital Universitário. A UFPel, desde o ano passado principalmente, sofre muito com problemas estruturais na maioria dos cursos. Para nós, é revoltante ver que o reitor consegue R$ 120 milhões para construir um hospital mas faz pouco caso aos cursos sem salas, professores e laboratórios.”

Natália Schoultz, 23 anos, estudante de Medicina:

“Aqui na Leiga (Faculdade de Medicina) todos estão comemorando. É um grande passo para nosso curso e para toda universidade. Eu lamento que estou me formando no fim deste ano e não poderei usufruir tanto do Hospital, mas fico feliz ao saber que os novos alunos terão esse ‘a mais’ para suas práticas, além de estar ajudando a comunidade.”