Pensamentos



"A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor." ALBERTO DINES


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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Beleza x Saúde


Elana Mazon, Esther Louro, Manuelle de Lima, Marcela Lorea,
Maria da Graça Siqueira e Mônica Bandeira

Com a chegada do verão aumenta a preocupação com a questão estética. O que antes estava escondido pela roupa começa a aparecer juntamente com o calor. Nesta época do ano há uma busca crescente por academias, clínicas de estética, lojas de produtos naturais e de suplementos, além dos remédios e dietas. Com isso, nos vêm a questão: a partir de que momento a questão estética se torna um risco à saúde?

É evidente que grande parte das pessoas procura, primeiramente, as academias de ginástica para perder peso. O instrutor da Academia Viva Fitness Center, Cássio da Silva, afirma que no final do inverno há aumento no número de alunos. Além disso, é visível que nesta época do ano as mulheres retomam a atividade física, enquanto os homens a praticam durante o ano inteiro. Para ele, a questão estética é o principal fator para o aumento de alunos. Entre as mulheres, as aulas de ginástica são as mais procuradas, enquanto os homens se interessam mais pela musculação.
Quando a academia não dá resultados rápidos, como muitas pessoas desejam, há formas alternativas para se chegar ao “corpo perfeito”.  As lojas de suplementos alimentares possuem vários tipos de produtos para diversos objetivos. O proprietário de uma loja deste ramo afirma que, com a chegada do verão, as mulheres compram mais suplementos que auxiliam na perda da gordura localizada, os chamados termogênicos.  Já os homens, produtos para ganhar mais musculatura e até mesmo para evitar a perda da mesma.  Por fim, ele destaca que há suplementos para pessoas que não conseguem fazer de seis a sete refeições diárias, para assim suprir a demanda calórica perdida durante o dia.

Como sempre ocorreu, a mídia influencia muito a vida das pessoas. Hoje em dia existem inúmeras revistas e sites que fornecem dietas e remédios milagrosos. Um exemplo é a dieta do chá de três ervas, que promete emagrecer 6 kgs em um mês.
Em decorrência desses meios de comunicação, há um aumento significativo em lojas de produtos naturais e farmácias de manipulação. Na loja Sabor do Grão, a atendente Clarissa Norenberg diz que as pessoas procuram produtos milagrosos e que a cada semana um está em evidência. Na Botica Pelotense, a atendente Maria Aparecida Motta também conta que em cada semana há um remédio novo para emagrecimento rápido e fácil. Um dos produtos mais vendidos é o Óleo de Cártamo que ajuda na queima de gorduras. Tanto na farmácia quanto na loja de produtos naturais os atendentes afirmam que seus produtos ou os alimentos naturais devem ser associados a exercício físico e alimentação saudável.
Outra saída para o emagrecimento rápido são os tratamentos em Clínicas de Estética. De acordo com a esteticista Odete Barreto, quando chega esta época do ano as pessoas chegam à clínica querendo resolver problemas que foram criados no inverno.  “Nós somos somente um suporte, ajudamos muito com certeza [...] mas também a atividade física é importante. As pessoas têm que fazer um conjunto de esforços”, afirma.
De acordo com Odete, as mais procuradas são a drenagem linfática e a massagem estética. Enquanto a drenagem estimula o sistema linfático a funcionar mais rapidamente, a massagem auxilia na perda de gordura corporal e redução da celulite. A maior procura é por parte das mulheres, mas ela já atendeu homens, tanto sozinhos quanto com suas esposas. Para ela, o resultado rápido depende muito dos hábitos das pessoas fora da clínica.
Muitas pessoas acham que a última saída é a ida ao nutricionista. Este é um erro comum e, muitas vezes, os tratamentos adotados antes da procura por um profissional podem causar danos irreversíveis. A nutricionista Marlene da Costa garante que é impossível emagrecer 4 kgs em um mês de forma saudável. Em uma situação como essa, o corpo não consegue administrar a perda de peso, o que gera o chamado “efeito sanfona”. Ou seja, a pessoa perde peso e depois de um tempo engorda novamente.
“Não existe nada milagroso, nem suplemento, nem medicamento”, afirma Marlene. Para ela, apenas pessoas com obesidade mórbida devem recorrer a remédios para facilitar o emagrecimento. Ela alerta que todo excesso de peso é maléfico a saúde. Por isso, a forma mais saudável para o emagrecimento é a reeducação alimentar e a prática de exercício físico.
Marlene não possui uma opinião formada a respeito de suplementos alimentares, mas acredita que para reduzir peso é necessário comer menos que necessitas. Com relação à influência da mídia, ela alega que os meios de comunicação prometem muita coisa, mas o que é prometido geralmente não acontece.

domingo, 30 de outubro de 2011

200 anos de Pelotas


 Elana Mazon, Esther Louro, Manuelle de Lima, Marcela Lorea,
Maria da Graça Siqueira e Mônica Bandeira

Faltando pouco mais de 200 dias para a comemoração do bicentenário de Pelotas, tanto a prefeitura quanto outras instituições trabalham para que esta data fique marcada não só na história da cidade e de sua população, mas também na história do Estado. Pelo fato de Pelotas ser a 3º cidade mais populosa do Rio Grande do Sul e ter conquistado visibilidade nacional por sua tradição doceira, a responsabilidade de celebrar o dia 7 de julho de 2012, quando completará 200 anos, torna-se ainda maior.
Para este evento, serão disponibilizados R$ 300 mil, graças a uma Emenda Parlamentar de autoria da deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB). Segundo ela, em declaração ao clicRBS,“contar a história dos 200 anos de Pelotas é contar a história do Estado e de toda sua trajetória de desenvolvimento”.

O trabalho das comissões

O projeto “200 Anos de Pelotas” está ligado à Prefeitura, e tem como coordenador geral o vice-prefeito Fabrício Tavares, que conta com a colaboração da sua chefe de gabinete Michele Lima e de mais três assessores. Segundo o site da Prefeitura Municipal de Pelotas, ele se diz satisfeito pelo engajamento e interesse da comunidade em envolver-se nesse projeto que definiu as atividades sociais, culturais e esportivas que já estão sendo executadas desde 7 de julho deste ano.
Relógio em frente à Prefeitura
Junto aos festejos dos 199 anos, foi inaugurado o relógio que faz a contagem regressiva para o bicentenário, instalado em frente ao prédio da Prefeitura. No decorrer do ano outros projetos serão realizados, como a 1º edição do Baile Municipal de Debutantes da Periferia de Pelotas, que contemplará 30 jovens com vestido, cabelo, maquiagem e anel. A organização de eventos como o Encontro de Arte e Tradição (ENART), Expofeira e Moda Pelotas, todos já previstos no calendário anual da cidade, este ano tiveram apoio especial e em diferentes áreas por parte do projeto.

Já a “Comissão UFPel 200 anos” foi constituída no final de maio e é coordenada pelo chefe de imprensa da Universidade Federal de Pelotas, o jornalista Clayton Rocha. A comissão conta com 41 membros que serão responsáveis pela programação de atividades artísticas, culturais e científicas. Segundo Rocha, “estes membros foram escolhidos pela notoriedade e o alto espírito comunitário que possuem”.
Entre os eventos programados pela comissão da UFPel, destaca-se a elaboração de um mapa com as cidades co-irmãs de Pelotas, contando suas histórias e o porquê da irmandade, com conclusão prevista para dezembro deste ano. Também haverá uma benção ecumênica do Arcebispo Dom Jacinto Bergmann às margens do São Gonçalo (foto) e o lançamento do livro “Os 200 Grandes do Bi-Centenário”, que será escrito por Clayton Rocha e pelo poeta Mário Osório Magalhães, com o aval das duas comissões. A programação ainda não está fechada podendo ser agregadas novas atividades. 

A opinião da população pelotense

        Mesmo diante de toda mobilização das duas comissões para que a data seja comemorada em grande estilo, a população, em sua maioria, não se sente engajada nesse processo de construção e no resultado que ele gerará. A dona de casa Maria Mendonça diz que sequer sabia que Pelotas estava prestes a comemorar seus 200 anos.
        Já a estudante Paula Krauze, de 16 anos, ficou sabendo da comemoração através da faixa colocada em frente à escola em que estuda, onde professores protestavam contra os salários recebidos fazendo referência à comemoração. Em sua opinião, “as programações que serão feitas servirão de status para a cidade. Nós precisamos de hospitais e tantas outras coisas, mas estão trocando as prioridades da população”.
        Já o vendedor Luiz Eduardo Silva ficou sabendo dos 200 anos devido à movimentação no dia da inauguração do relógio, já que trabalha nas redondezas da Praça onde ele foi instalado. O vendedor acha interessante todo o trabalho que será feito desde que a população local seja beneficiada de alguma forma com a notoriedade da data.
E é isso que espera grande parte dos cidadãos pelotenses, que além de comemorações e grandes eventos, os 200 anos da terra do doce sirvam para trazer avanços em vários aspectos, como a saúde, educação, segurança pública, mais empregos, enfim, uma vida digna de moradores da cidade conhecida como Princesa do Sul.


sábado, 1 de outubro de 2011

Passado pelotense resgatado

Elana Mazon, Esther Louro, Manuelle de Lima, Marcela Lorea,
Maria da Graça Siqueira e Mônica Bandeira

          Em quase dez anos de atuação em Pelotas, o Programa Monumenta trouxe de volta a beleza de nossa arquitetura secular, realçou a riqueza de nossos casarões e trouxe luz e cor ao antes apagado Centro Histórico da Princesa do Sul. A cada nova intervenção, uma certeza: a importância de valorizar e preservar nosso passado

O Programa 

          O Programa Monumenta do Ministério da Cultura consiste em um convênio firmado entre governo federal e municipal, a fim de atuar na recuperação e preservação do patrimônio histórico dos municípios. Procura fundir essas melhorias com o desenvolvimento econômico e social da cidade. 
          O Monumenta atua em 26 cidades históricas protegidas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Cidades essas, escolhidas de acordo com a sua importância histórica e artística, levando em consideração a urgência das obras de recuperação.
          Através do Monumenta são restaurados museus, casarões, igrejas, fortificações, teatros, palacetes, conjuntos escultóricos, conventos, fortes, ruas, espaços públicos e até edificações privadas. Para essas, o financiamento é cedido pelo governo federal, que financia a obra de restauro sem juros, com prazos que variam de 10 a 20 anos. O financiamento é pago não ao governo federal, mas sim ao Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural.
          O Fundo Municipal é gerido por um Conselho, o qual é presidido pelo Secretário de Cultura de cada município. Os valores depositados nesse Fundo deverão ser utilizados na conservação do Patrimônio Histórico e no auxílio da preservação dos imóveis já beneficiados pelo Programa, podendo ainda intervir em novos projetos, se o Conselho julgar necessário. 

O Monumenta em Pelotas

          O convênio entre governo federal e municipal que, primeiramente, pretendia restaurar o sítio histórico da Praça Coronel Pedro Osório e seu entorno, foi firmado em 2002. Mas, segundo o coordenador do Programa Monumenta em Pelotas, Ricardo Marques Silveira, essa ideia já era bem mais antiga. Há muitos anos a vontade de revitalizar os espaços históricos era pulsante. Antes mesmo de o convênio ser firmado, já havia sido recolhido todo o material dos imóveis tombados e encaminhado ao IPHAN, a fim de conseguir incentivos federais para as urgentes intervenções arquitetônicas. 
          No começo, os principais entraves para a realização das restaurações eram a dificuldade de se realizar o projeto e a falta de mão de obra capacitada com experiência em restauro histórico. O programa teve que contratar escritórios de outros estados para a realização dos primeiros projetos. Hoje, o Monumenta conta com um escritório técnico capacitado que, segundo Ricardo, oferece suporte também a outras cidades.
           O primeiro projeto a ser realizado foi o da Fonte das Nereidas, situada no interior da Praça Coronel Pedro Osório. A obra foi inaugurada pelo então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, em junho de 2003.


          Ao longo destes quase 10 anos de Monumenta, as obras solicitadas foram entregues e somaram-se a outras, posteriormente vinculadas ao programa. Seu coordenador orgulha-se em dizer que já foram realizadas as obras do Casarão nº 2, da Fonte das Nereidas, da Praça Coronel Pedro Osório, da fachada e da cobertura do Paço Municipal, do Largo Edmar Fetter, do Casarão nº6 (que foi entregue em novembro de 2010) e de parte do Grande Hotel, para o qual já existia uma fração dos recursos. Quanto à obra do Mercado Público, espera-se seu término para janeiro de 2012. 



          O valor financiado pelo governo federal será pago ao Fundo Municipal, no qual a prefeitura deve depositar 100 mil reais, e parte do aluguel do Mercado quando em funcionamento. Essas ações visam garantir a sustentabilidade do Programa.
          Ricardo ainda nos informa que, há algumas semanas, o escritório protocolou no IPHAN o projeto de restauração completa do Teatro Sete de Abril. Tal projeto irá abranger desde o telhado e poltronas até a parte de climatização do Teatro. Para Ricardo, é muito importante ter o projeto do Sete de Abril aprovado pelo IPHAN. O Teatro tem quase a idade de Pelotas, pouco menos de 200 anos, é uma jóia rara. Ao ser indagado sobre o que acha do Programa, se diz suspeito para falar, porém não deixou de fazê-lo: O Programa Monumenta em Pelotas já foi um sucesso, basta ver o que temos aqui. Agora, apenas temos que cuidar do que já foi feito. E se for tudo realizado com sucesso, vamos fechar esse ano maravilhosamente bem.

domingo, 3 de julho de 2011

O Resgate da Arquitetura Pelotense

Marcela Lorea e Mônica Bandeira

Não se pode negar que a arquitetura Pelotense é muito rica em detalhes. Pensando assim, a artista plástica Cristina Ceia faz um trabalho artesanal, voltado à antiga arquitetura dos pontos históricos da cidade, que vai completar 200 anos em 2012.
O trabalho de Cristina consiste em representar os vitrais, ladrilhos, portas e até mesmo os próprios prédios em caixas de madeira. Nessas caixas, são colocados vidros na parte superior, onde há pintura com uma tinta extremamente líquida. A artista conta que até a caixa ficar totalmente pronta demora cerca de sete dias, devido ao tempo de a tinta secar.

 
As caixas artesanais da artista plástica já são conhecidas em outros países. Uma noiva brasileira encomendou seu trabalho para dar de lembrança no seu casamento na Itália. A artista afirma que não faz exportação, e sim, que as pessoas encomendam e levam para outros lugares. Ela também já fez trabalhos para a cidade vizinha, Rio Grande, a maioria mostrando a estrutura dos pontos históricos.
Cristina Ceia, formada em Psicologia, fez Artes Plásticas na Universidade Federal de Pelotas durante três anos, sem se formar. Como ela mesma afirma: “Começou a entrar numa linha muito modernista, e não era aquilo que eu queria. Eu achava que tinha que resgatar a arquitetura antiga. Aí desisti, não cheguei a me formar, mas ajudou bastante.”



 
A senhora, que se mostrou muito feliz em apresentar seu trabalho, durante muitos anos os colocou em exposição na Feira Nacional do Doce (FENADOCE). Devido ao fato da feira ser apenas uma vez por ano, sua prioridade passou a ser as encomendas, que eram certas o ano inteiro. Exemplo de seus trabalhos são as lembranças da Charqueada Santa Rita e o Museu da Baronesa, além das caixas de doces das docerias Pérola, Berola e Pelotense. 
Ela iniciou com o “artesanato comum”, que todo mundo faz. Entretanto, queria ser um diferencial. Enquanto passeava por Montevidéu, ela viu um trabalho com vitrais e surgiu, assim, a ideia de trabalhar com os pontos históricos pelotenses. Cristina nos conta que: “Começou com um levantamento fotográfico e reprodução. Todo vitral tem a indicação de onde saiu, com exceção dos particulares”.
Ao ser questionada sobre o preço, afirmou: “Não tenho que explorar. Tu não pode dizer que está caro, pois não sabe o trabalho que deu pra chegar no trabalho final”. Ao final da entrevista, a artista nos apresentou como é o seu trabalho, além de nos mostrar as encomendas prontas, por volta de 100 caixas inspiradas em Pelotas.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Mercado Público

O valioso e inacabado patrimônio de Pelotas

Antoniela Rodriguez, Marcela Lorea, Mônica Bandeira e Pâmela Mendes

O Mercado Público de Pelotas foi construído no ano de 1848, sendo um dos mais antigos do Rio Grande do Sul. Com um estilo neoclássico, o edifício passou por diversas reformas que mudaram a arquitetura original.
O Mercado sempre foi propriedade da Prefeitura de Pelotas, como nos informou o Superintendente de Cultura Mogar Xavier. No ano de 1912, em virtude do primeiro centenário da cidade, o prédio passou por uma reforma, mudando sua característica arquitetônica para Art Nouveau. Neste período foi importada da Europa a estrutura metálica presente no seu interior e a Torre do Relógio de Hamburgo, na Alemanha.
Somente em 1969 houve uma segunda reforma, devido a um incêndio. Causado por um curto circuito, parte do prédio foi destruído, rompeu-se a estrutura metálica e os vitrais foram arruinados. Nesta época, a Prefeitura estava passando por problemas financeiros. Com isso, a obra não restaurou a estrutura danificada pelo fogo, além de ter diminuído o espaço de circulação e aumentado o número de bancas. Com o tempo, o Mercado foi perdendo sua singularidade.
A partir de 2009, iniciou a reforma de restauração do Mercado Público com o intuito de “Devolver a originalidade do interior do prédio do mercado”, como Mogar Xavier declarou.  A Prefeitura e o Governo Federal, através do Programa Monumenta, entraram com recursos para a restauração. A ideia principal do projeto é refazer o modelo inicial, construído em 1848, além de implantar bancas que condizam com as atividades compatíveis do mercado.
Atualmente, a obra ainda não foi concluída e está sem prazo de término. Os locatários da área interna foram transferidos para um local provisório ao lado da Bibliotheca Pública, na travessa Conde de Piratini. Enquanto as obras são realizadas, alguns ocupam o primeiro andar do Shopping Praça XV, um edifício inacabado no centro da cidade. As peixarias são as únicas que permanecem com as bancas no Mercado Central.
      A Prefeitura ainda possui para o momento um processo seletivo que definirá quem vai ocupar as novas bancas. Sem saber do andamento da reforma e com o medo de perder o ponto após a reformulação do mercado, os comerciantes não comentam o assunto e apenas continuam suas atividades nos locais cedidos. Segundo fontes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ainda não existe definição de prazo porque o orçamento de 2011 não foi liberado. E Mogar Xavier afirma que os recursos da Prefeitura já foram esgotados e o que falta é apenas do Governo Federal.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ordem no Mercado

Marcela Lorea e Mônica Bandeira

            Depois de vários anos sem reformas, o Mercado Público de Pelotas está em obras. Contudo, elas começaram em 2009 e até agora não estão concluídas. Muitos são os problemas que atrasam este processo, como os comerciantes deslocados, as incertezas quanto ao futuro e paralisação da reconstrução.
          O Superintendente de Cultura de Pelotas, Mogar Xavier, relatou que o mercado já passou por inúmeras melhorias, mas que atualmente está apenas em restauração. “Vamos devolver a originalidade do interior do prédio, no volume externo também [...]. Ele vai ter no seu interior e também na estrutura metálica uma reforma que respeite a originalidade do projeto, e com isso nós certamente teremos um ‘mix comercial’ no mercado, que nos dê atividades compatíveis com suas peculiaridades”, completou.
     Ao ser questionado sobre a paralisação das obras, Mogar afirmou que elas não estão paradas, mas sim em um ritmo mais lento, devido ao atraso no pagamento do empresário responsável. Ainda ressaltou que a Prefeitura Municipal de Pelotas está fazendo a obra com ajuda do Programa Monumenta do Governo Federal, no qual 30% dos recursos são da prefeitura e 70% do Ministério da Cultura e do BID. Desta forma, o pagamento que falta é o do Governo Federal, cerca de 600 mil reais.
    Na semana anterior às declarações do superintendente, a senhora Celi Dias, há 22 anos na Peixaria Frutos do Mar, confirmou que a obra começou no ano retrasado e que até agora espera por informações da mesma. Ela gostaria que houvesse uma maior divulgação da história de tal patrimônio, pela sua importância à cidade. Além disso, diz que as bancas internas foram retiradas e colocadas na parte exterior, num primeiro instante. Em seguida, foram para outro local, ficando no Mercado somente as de frutos do mar. As de produtos secos encontram-se ao lado da Biblioteca Pública, na travessa Conde de Piratini. Já as de comércio molhado estão instaladas no Shopping Praça Quinze.
      A comerciante Isabel Vidal esperava há muito tempo por essa reforma. Ela contou que a maioria das bancas, seja da parte interna ou externa, está alojada na travessa desde outubro de 2010, e que a prefeitura aluga tal espaço. Explica, também, que as vendas caíram devido ao preconceito com a estrutura e à desinformação no que diz respeito à mudança de local.
     A maioria dos comerciantes não possui expectativa quanto ao retorno de suas barracas. No início da obra, eles foram avisados que não era certo a volta de todos. O superintendente Xavier ainda afirmou que a prefeitura possui outro projeto paralelo, que é a construção do Shopping Popular, que vai se localizar no espaço do atual Camelódromo. Ao final da obra do Mercado, haverá uma licitação para o preenchimento das bancas.
    Mogar completou dizendo que “a proposta da prefeitura de construir um shopping popular é para levar todos os ambulantes. Os que não couberem, que não passarem pelo crivo da licitação e não conquistarem um lugar no Mercado após a restauração, terão seu espaço lá no shopping popular”. Com isso, deixou claro que até mesmo as bancas mais antigas não terão garantia de permanência, já que não há herança no setor público.
     A única certeza é de que o Mercado voltou às obras e está a espera dos pagamentos atrasados do Governo Federal. “Aquele que tiver competência, aquele que tiver comércio adequado para ser explorado naquele espaço vai poder disputá-lo, não vai haver entrega [...] é a oportunidade de colocar ordem no mercado”, finalizou Mogar Xavier.

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