Pensamentos



"A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor." ALBERTO DINES


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terça-feira, 19 de julho de 2011

Doenças respiratórias são agravadas no inverno

Leandro Domingues

Com a chegada da estação mais fria do ano, o inverno, é comum aumentarem os problemas de saúde causados pelas baixas temperaturas. Entre os atendimentos mais comuns, destacam-se as doenças respiratórias virais como resfriados e gripes, assim como as bacterianas, principalmente, pneumonias. Pessoas que já apresentam outras doenças, como asma, bronquite e enfisema pulmonar podem ter os sintomas agravados nesses períodos de muito frio.


Médico Gerson Araújo percebe o aumento da procura por atendimento

      Segundo Gerson Donizete de Araújo (foto), clínico geral do Posto de Saúde Rita Lobato em Rio Grande, as doenças respiratórias se favorecem com os hábitos da população, que no inverno costumam permanecer em locais pouco ventilados. O médico presta atendimento todos os dias e percebe o aumento significativo da procura no posto, assim que as temperaturas baixam: 
“Não adianta, chegou o inverno todo mundo se junta e quem tem vírus está trocando com outro”
 As bactérias e vírus são transmitidos principalmente pelo contato com secreções respiratórias. Por isso, Araújo destaca a importância de manter bons hábitos de higiene, como lavar bem as mãos periodicamente, assim como cobrir o nariz e boca ao tossir ou espirrar:
“Muitas vezes, as pessoas têm contato com outras em qualquer ambiente fechado, até mesmo no emprego. Pode começar aí o período de encubação do vírus, que uma hora ou outra, vai manifestar os sintomas”
Ele ressalta a importância de buscar atendimento de saúde, logo ao sentir os primeiros sintomas:
“Com até 72 horas eu posso prescrever medicamentos com mais segurança, como o Tamiflu em casos do H1N1. Depois disso, o tratamento se restringe mais aos cuidados sintomáticos”
As pessoas, que podem sentir mais os reflexos das doenças respiratórias recebem por parte dos profissionais médicos do posto uma atenção redobrada:

“Grupos mais sensíveis como crianças e idosos precisam ficar mais atentos a qualquer sintoma e portadores de doenças crônicas como Aids e tuberculose não podem esquecer de seguir as orientações e principalmente tomar os medicamentos”

Crianças precisam de atenção redobrada
 A mãe do pequeno Lucas, de cinco anos, levou o menino ao posto para consultar, assim que percebeu as primeiros sintomas de tosse. “Ele estava tossindo muito e trouxe, pois tive medo dessa onda de gripe, ainda mais que ele tem bronquite”, afirmou ela, enquanto esperava o menino fazer nebulização em uma sala do posto de saúde.



Veja como se prevenir das doenças respiratórias:

- Lave as mãos com água e sabão a toda hora
-Cubra o nariz e a boca com lenço quando tossir ou espirrar
-Não divida alimentos, bebidas, copos e toalhas
-Não fique em lugares fechados, abra sempre as janelas

domingo, 10 de julho de 2011

Biblioteca Rio-Grandense


Do prédio ao acervo, um convite à leitura
Leandro Domingues
 
Ninguém que goste de ler pode dispensar um olhar atento a uma biblioteca. Nenhum rio-grandino poderia deixar de entrar com o corpo e a alma na Biblioteca Rio-Grandense, um patrimônio histórico, arquitetônico, literário e de várias outras formas de cultura.
Talvez muitos tenham passado por ali sem atentar para suas linhas retas e acervo único. São mais de 450 mil obras, algumas raríssimas, que atraem pesquisadores de várias partes do mundo, trabalhando sobre o mais diversificados temas.
        Fundada em 1846 por 21 adeptos da cultura liderados por João Barbosa Coelho, a Biblioteca Rio-Grandense é a mais antiga instituição cultural do Rio Grande do Sul. Nestes quase dois séculos de história, ela já recebeu desde uma Família Imperial (D. Pedro II e sua filha Isabel) até um futuro presidente (Fernando Henrique Cardoso, ao tempo de professor/pesquisador).      

Acervo
       
        Entre os mais de 400 mil volumes, a Biblioteca tem raridades mundiais, como o “Geografia” de Claudius Ptolomaeus, editado em 1562, com 286 páginas e 64 mapas. O segundo livro mais antigo é “Rerum a Societate Iesv in Oriente”, de Joan Petrus Maffeius, de 1574. Mas entrando pelas várias salas, cada uma delas dedicada a uma personalidade, como Tamandaré (assuntos náuticos e navais), Abeillard Barreto, Silva Paes (com os mesmos títulos que o brigadeiro tinha na livraria particular), Martins Bastos ou Duprat da Silva, é impossível não se emocionar ao ver centenas de volumes nas prateleiras. Tem livros para qualquer gosto, tempo, época, necessidade.
        De valor inestimável são os jornais, alguns da época da fundação da Biblioteca, como “O Noticiador” e “O Observador”. O “Jornal do Commercio”, do Rio de Janeiro, tem aqui sua única coleção completa, pois a da empresa proprietária foi perdida num incêndio. Atualmente, conta com edições completas dos jornais Agora, Diário Popular e Jornal do Commercio.

Prédio

A data de fundação da Biblioteca Rio-Grandense é de 15 de agosto de 1846, instituição que surgiu por iniciativa e apelo de Barbosa Coelho dirigido a um grupo da elite local quando de um encontro na residência de José Antonio Ramos. O nome inicial foi de Gabinete de Leitura, sendo o primeiro presidente Barbosa Coelho e o primeiro secretário Manoel Coelho da Rocha Júnior.
Os estatutos foram aprovados nos dias 21 e 22 de setembro de 1846 e o primeiro bibliotecário foi o próprio Barbosa Coelho. O prédio inaugural situava-se num sobrado localizado à Rua do Arsenal (rua Ewbank). A primeira compra de livros foi efetuada por Barbosa Coelho e a primeira doação foi realizada por Malaquias José Neto.
Em 3 de novembro de 1847, a Biblioteca foi instalada no prédio nº 146, 2º andar, à Rua da Praia (rua Marechal Floriano).  Em 1866 mudou-se para a rua Direita (rua General Bacelar).
Conforme registros da época, frente à situação financeira para garantir à manutenção de suas atividades, surgiu o amparo do Barão de Vila Izabel. Na ocasião, ele tomou várias medidas para restabelecer o prestígio e o crédito da histórica instituição, assumindo a presidência desta em 14 de janeiro de 1878.
No dia 4 de junho do mesmo ano, o Gabinete de Leitura foi extinto e surgiu a atual denominação Biblioteca Rio-Grandense. O instituto perde então seu caráter de sociedade privada, a sua feição original, assumindo as características de biblioteca popular. Ainda em 1878, a Biblioteca foi transferida para segundo andar do nº 71 da rua Riachuelo.
Ampliando sua atuação educadora, a partir de 7 de Março de 1879, tem início as conferências literárias. A conferência inaugural foi proferida pelo então estudante do segundo ano da Faculdade de Direito de São Paulo, Joaquim Francisco de Assis Brasil. Este intelectual, que teve um destacado papel político no Rio Grande do Sul, escreveu em 1882 uma história da República Rio-Grandense em direção à constituição de uma história popular de caráter regional. Em 1880, a Biblioteca contava com um acervo de 16 mil volumes, o que é considerável para a época.
A aquisição de um prédio mais espaçoso para a Biblioteca ocorreu na gestão do Visconde Pinto da Rocha, quando a Biblioteca comprou da municipalidade um casarão localizado na esquina das ruas General Netto e Osório (antiga casa da Câmara). O governo municipal adquiriu um imóvel localizado na esquina das ruas General Netto e Floriano Peixoto – prédio da Prefeitura que recentemente incendiou. Construído em 1824 pelo comerciante Joaquim Rasgado, o prédio foi residência da família Tigre, sendo alugado para os clubes Diógenes e Saca – Rolhas e para a Intendência Municipal e câmara de vereadores, após 1886.
Finalmente, no ano de 1900, com o fim da reforma e estabelecimento da prefeitura no antigo casarão do Rasgado, o chamado “prédio da câmara” tornou-se a sede que até hoje guarda o precioso acervo da Biblioteca. As ampliações e reformas ocorridas a partir da década de 1910 promoveram alterações radicais na funcionalidade e estilo do prédio, que foi sendo adaptado às necessidades do acervo.
Em 1917 a Biblioteca contava com 41 mil volumes, elevando-se em 1943 a 83 mil. Para maior aprofundamento, o livro de Francisco das Neves Alves, Biblioteca Rio-Grandense: textos para o estudo de uma instituição a serviço da cultura, apresenta um amplo levantamento de informações sobre a Biblioteca.
 

Porto recebe navio E-ship 1

Leandro Domingues


O navio E-Ship 1 atracou no início desta semana, (04-07-11) no Porto do Rio Grande. O primeiro cargueiro do mundo movido a propulsão híbrida, a base de energia eólica (40%), descarregou 97 peças com um total de 1000 toneladas. Estas peças serão utilizadas para o Parque Eólico de Palmares do Sul.
        A operação durou 24 horas. A última parada do navio alemão foi em Natal, no Rio Grande do Norte. De Rio Grande, o E-ship 1 deve partir para Santos. Esta é a terceira viagem do navio ao Brasil. O ultimo descarregamento ocorreu em março deste ano.
De acordo com o diretor técnico do Porto do Rio Grande, o oceanólogo Luiz Laurino, a expectativa é de que este navio retorne muitas vezes ao porto rio-grandino. “É uma tendência mundial esta procura pela mudança na matriz energética com foco no meio ambiente. Espera-se com isso melhorar o futuro. Este navio é uma participação nesse contexto e demonstra que existem alternativas”, destacou.

Sobre o navio
O navio E-ship 1, com 130 metros de comprimento e 22,5 metros de boca, teve sua construção concluída em Emden, na Alemanha. O navio utiliza-se do Efeito Magnus para propulsão através de quatro torres cilíndricas de 27 metros de altura por quatro metros de diâmetro. Instaladas no convés principal, elas funcionam como rotores eólicos com capacidade de captar a energia do vento para auxiliar a propulsão a diesel do navio.

"Uma imagem vale mais que mil palavras": Será?


 Assim como os cinegrafistas são muito importantes para as reportagens da Tv, no jornalismo impresso a fotografia é um importante elemento na construção do conteúdo. Procurando descobrir se uma imagem tem mesmo mais importância do que um texto e como é a vida de quem narra uma situação através de imagens, resolvemos procurar quem está no dia-dia da mídia impressa: os repórteres fotográficos.
Mas será que uma boa imagem substitui um bom texto? Para entender essa relação entre a imagem e reportagem, resolvemos entrevistar Deyver Dias (foto), fotógrafo do jornal Agora, o jornal mais lido de Rio Grande – RS.

 
Há quatro anos trabalhando no "Agora", e com muitas situações curiosas para contar, Deyver deu uma pausa entre uma foto e outra, e aceitou responder alguns questionamentos sobre a relação entre imagem, texto e reportagem.
 Confira abaixo os principais trechos da sua entrevista.



Acadêmicos da Notícia - Qual a importância da imagem no contexto da reportagem?
Deyver Dias - Uma foto pode dizer muito mais que um texto. Muitas vezes tu lê um texto e não compreende do que se trata, mas olhando uma imagem tu vai enxergar  ali o que está acontecendo. Esse é, talvez, o grande desafio do fotógrafo: fazer uma imagem que explique toda a situação.

AN - Qual a relação entre imagem e texto?
Deyver - Uma coisa complementa a outra. Não se pode fazer uma foto que não tenha nada a ver com o texto ou vice-versa. Por isso a importância do repórter e do fotógrafo estarem sempre conversando, sempre em sintonia para fazerem um bom trabalho.

AN - Uma boa imagem pode dizer mais que um bom texto?
Deyver - Com certeza. A fotografia também é uma forma de reportar algo. Uma boa imagem pode construir muito mais sentido no leitor do que um texto. Temos no site do jornal, a “Imagem do dia”, onde os leitores comentam apenas uma imagem que é publicada diariamente. E ali nós percebemos o quanto a construção de sentido de uma foto é importante e como a informação daquela imagem repercute nos nossos leitores internautas. O interessante é que, nesse caso, não há uma reportagem acompanhando a imagem. É só a foto e os comentários dos leitores.

AN - E uma foto pode sugerir uma pauta? Já aconteceu contigo?
Deyver - Se for boa, pode sim. Recentemente fomos fazer uma matéria em uma escola aqui de Rio Grande, e a pauta se tratava de uma peça de teatro que era encenada em sala de aula. No intervalo, os alunos brincavam no pátio, muito próximos a poças de água suja, lama mesmo, e isso me chamou a atenção e comecei a fotografar aquilo.  Com as fotos sugeri uma pauta sobre a precariedade do prédio daquela escola e das más condições do pátio, onde os alunos brincavam. Isso depois se transformou em uma série de reportagens do jornal, sobre as dificuldades enfrentadas por algumas escolas aqui do município. Precisamos sempre estar atentos a tudo e a todos quando saímos para fazer uma matéria.

AN - Dentre as opções disponíveis atualmente para os fotógrafos, qual na tua opinião é a ferramenta mais importante para se obter uma boa foto? Câmera, lente ou recursos de edição?
Deyver - Sou inteiramente contra imagem editada. Acredito que para se descrever bem uma situação, o talento e a percepção do fotógrafo são imprescindíveis.  Não adianta nada se ter um ótimo equipamento e não saber perceber o momento certo para se capturar a imagem. É claro que hoje existem câmeras e lentes que ajudam bastante o trabalho do fotógrafo. Mas o talento em perceber a cena, o ambiente e o momento são essenciais.

AN - Sobre aquelas imagens publicadas no jornal em que as pessoas aparecem com rosto desfocado, para não identificar, qual a tua opinião?
Deyver - Eu sou contra. Acho que tem que mostrar. Claro que tem que se respeitar a linha editorial do jornal e se isso for uma regra, não identificar o rosto das pessoas, eu como empregado daquele veículo tenho que aceitar. Porque se caso eu publicar uma foto em desconformidade com a linha editorial do jornal, teria que arcar com a responsabilidade em um eventual processo judicial, então é melhor não. Mas se o jornal fosse meu, eu publicaria.

AN - Em situações de perigo, em que há possíveis vítimas, como tu agirias? Faz a foto? Ou tenta ajudar?
Deyver - Primeiramente eu tiro a foto, depois eu vejo o que dá pra fazer. Mas esse é o eterno dilema para nós profissionais da informação. Acho que quanto menos eu me envolver na pauta melhor. Claro que tem situações que eu confesso que não gosto de cobrir, como morte de criança, mas fora isso tento agir o mais profissional possível.