Pensamentos



"A sociedade que aceita qualquer jornalismo não merece jornalismo melhor." ALBERTO DINES


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sábado, 9 de julho de 2011

Você é o que você come

Virgínea Novack

        E também o quanto e como você come. Os alimentos podem prejudicar muito a saúde, mas se ingeridos de maneira correta podem ser muito úteis. Já está provado que das 10 doenças que mais matam no mundo, cinco estão diretamente associadas a uma dieta de má qualidade: obesidade, infarto, derrame, diabetes e câncer. Mas não é por isso que devemos mudar completamente nossos hábitos e nos privarmos de tudo que nos dá prazer.


 
        Viver nesse mundo globalizado, com um fast-food em cada esquina, torna cada vez mais difícil resistir a essas “pragas” da alimentação. Esses lugares são muito atrativos, pois, como o próprio nome já diz, servem comida rapidamente. Se você está atrasado para o trabalho, não teve tempo de almoçar, não tem o que fazer com as crianças depois da escola: fast-food.
        Fora essa economia de tempo, tem a questão do sabor. Os refrigerantes, as batatas fritas, os hambúrgueres... Se eles não fossem tão gostosos, não teriam ganhado o planeta. Já as frutas, as verduras, os legumes... A verdade é que são alimentos difíceis de engolir para oito em cada 10 pessoas. Como competir com isso?
        A resposta chave é: reeducação alimentar (o que não é tão difícil como parece). Gostar de vegetais implica educar o paladar. Foi comprovada a existência de um instinto natural de seleção da comida. Se você se habituar a comer - um pouco - melhor, tentar trocar o hambúrguer nosso de cada dia por uma refeição preparada em casa com as devidas “doses” de proteínas, carboidratos e demais nutrientes, perceberá que o seu corpo todo (não somente aquele pneuzinho) e também a sua vida irão melhorar.
        Não é preciso ser um frequentador compulsivo de spas de emagrecimento para perceber que basta uma semana de alimentação regrada, frugal e saudável para o organismo funcionar melhor. O hálito melhora, o cabelo fica mais sedoso, a pele mais viçosa. Surge o ânimo para acordar mais cedo e, por que não, fazer inclusive uma caminhada.
        Uma boa alimentação só depende de você mesmo. Não se prive de tudo que engorda e faz mal, mas tenha bom senso. Corte os exageros e viva mais e com saúde.  

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Cultura surda: existe?


Virgínea Novack

        Cada vez é mais comum ouvirmos discursos sobre igualdade. No entanto, ainda mantemos uma visão arcaica em relação às minorias ou portadores de necessidades especiais. Como você descreveria uma pessoa surda? A resposta mais óbvia é uma pessoa que não ouve. Ao respondermos isso não levamos em consideração que o surdo não é somente uma pessoa que não ouve, mas que também tem sua própria cultura, a cultura surda.

 
História dos surdos    

    Na Grécia, os surdos eram encarados como seres incompetentes. Aristóteles ensinava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem, não eram capazes de raciocinar. Essa crença fazia com que eles não recebessem educação, não tivessem direitos, fossem marginalizados (juntamente com os deficientes mentais e os doentes) e, muitas vezes, fossem condenados à morte.  
     Séneca inclusive afirmou:

“Matam-se cães quando estão com raiva; exterminam-se touros bravios; cortam-se as cabeças das ovelhas enfermas para que as demais não sejam contaminadas; matamos os fetos e os recém-nascidos monstruosos; se nascerem defeituosos e monstruosos afogamo-los, não devido ao ódio, mas à razão, para distinguirmos as coisas inúteis das saudáveis.” (Sêneca, Apud Silva, 1986, p. 129).
        Mais tarde, Santo Agostinho defendia a idéia de que os pais de filhos surdos estavam pagando por algum pecado que haviam cometido. É só no fim da Idade Média que saímos da perspectiva religiosa para a perspectiva da razão, em que a deficiência passa a ser analisada sob a óptica médica e científica. Entretanto, nos dias de hoje, ainda é muito comum percebermos essa visão preconceituosa, de desigualdade para com os surdos, indiferente do que a ciência explica.

 A questão da linguagem

        No Brasil, somente em 2005 a Libras foi oficializada como Língua de Sinais. Anteriormente a isso, os surdos não tinham uma maneira oficial de comunicação, mas nem por isso deixavam de se comunicar. A língua de sinais os caracteriza, sendo o elo entre todos eles (homens surdos, mulheres surdas, gays surdos, negros surdos, surdos do campo...). Buscando em explicações lingüísticas o esclarecimento da questão cultural da linguagem, podemos afirmar que cada indivíduo tem sua própria visão de mundo, a qual se forma a partir das relações cognitivas que este faz. Americanos pensam diferente de russos, que pensam diferente de japoneses. No caso de pessoas surdas, suas relações cognitivas são feitas através de sua língua, a de sinais. O que contraria o mito de que pessoas surdas não conseguem pensar, pois não conseguem falar.
          Nós, sujeitos ouvintes, como os surdos, já fazemos relações cognitivas anteriormente a fala. Depois é que começamos a associar as coisas às palavras, caracterizando o processo de aquisição da linguagem. No caso dos surdos, eles associam as coisas aos símbolos.

Uma cultura que se forma

          A surdez para a cultura surda não é vista como um deficiência, mas sim com um laço, a identidade de um determinado povo. 
          Segundo Strobel (2008)...

“Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modificá-lo a fim de torná-lo acessível e habitável ajustando-os com as suas percepções visuais, que contribuem para a definição das identidades surdas e das ‘almas’ das comunidades surdas. Isto significa que abrange a língua, as idéias, as crenças, os costumes e os hábitos do povo surdo.” 

      Os indivíduos surdos não podem mais serem vistos como apenas deficientes. Eles formam um povo que se liga por uma língua e por suas próprias visões de mundo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Será que estão realmente preocupados com a sua saúde?

Virgínea Novack

Sou careta. Drogas bah! Não deixe a droga controlar sua vida. Crack nem pensar! Drogas, Tô fora! Mate sua curiosidade sem que ela te mate. A vida é curta e a droga encurta. Esses são alguns slogans que temos ouvido nos últimos anos. Com o passar do tempo, a nossa maior certeza é que quem entra pro mundo das drogas nunca mais sai. O estado proíbe terminantemente o uso de maconha, cocaína, crack, LSD, e atualmente, do oxi. Mas onde tudo isso começa?  Tudo começa com as drogas que são legalizadas e vendidas em qualquer barzinho.

Segundo Mariana Araguaia, graduada em Biologia, que faz parte do projeto Brasil Escola, “O cigarro apresenta em sua composição gás carbônico, monóxido de carbono, amônia, benzeno, tolueno, alcatrão, acido fórmico, acido acético, chumbo, Cadmo, zinco, níquel dentre muitas outras substâncias.” Ela afirma também que “o cigarro é ainda mais viciante que drogas como álcool, cocaína, crack e morfina [...]. Assim, a probabilidade de um indivíduo se tornar dependente de nicotina é muito alta”.
Como se não bastasse, de acordo com a Universidade Estadual Paulista (UNESP), o tabagismo é diretamente responsável por 30% das mortes por câncer, 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por doença coronariana, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica e 25% das mortes por doença cerebrovascular. Outras doenças que estão relacionadas ao uso do cigarro são aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual.
Estima-se que no Brasil, a cada ano, 80 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo, número que não para de aumentar. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 24% das crianças são de alguma forma fumantes passivas e estão sujeitas aos efeitos nocivos do tabaco.
Apesar de tudo que o cigarro pode causar, ele ainda pode ser considerado uma droga aceitável para a sociedade, pois não é entorpecente, isto é, não tira o indivíduo da realidade, o que lhe permitiria cometer delitos que não faria se estivesse sem o efeito da droga. 

Mas e o álcool?

De acordo com o Cisa (Centro de informações sobre saúde e álcool), “A ingestão de pequenas quantidades de álcool provoca desinibição e alterações do comportamento, mas se o indivíduo exagerar pode haver mudanças fisiológicas e comportamentais severas, o que culmina em possíveis casos de violência interpessoal e até mesmo coma alcoólico.” O álcool é a substância psicoativa mais popular do planeta, sendo a droga preferida dos brasileiros (68,7% do total). No país, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas são devidas ao álcool.
O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças, físicas e psiquiátricas, tornando dependentes um em cada dez usuários.

A verdade

Então, se essas drogas são tão terríveis e são liberadas, outras drogas como a maconha devem ser altamente destrutivas, não é mesmo? Não! Segundo dados da ONU, 147 milhões de pessoas fumam maconha no mundo, o que faz dela a terceira droga psicoativa mais consumida do planeta, depois do tabaco e do álcool.


Mas será que a maconha não faz mal? Depois de mais de um século de pesquisas, a resposta mais honesta é: faz, mas muito pouco, e só para casos extremos. O uso moderado não faz mal. O usuário eventual de maconha, que é o mais comum, não precisa se preocupar com um aumento grande do risco de câncer. Quem fuma mais de um “baseado” por dia há mais de 15 anos deve pensar em parar.
E a célebre frase repetida anos: “Maconha mata neurônios”? Não passa de mito. Bilhões de dólares foram investidos para comprovar que o THC (substância psicoativa da planta) destrói o tecido cerebral, mas nada foi encontrado. E ainda na comparação com o álcool, a maconha leva grande vantagem: beber muito provoca danos cerebrais irreparáveis e afeta a memória.
Com isso, chegamos à grande explicação para algumas drogas serem socialmente aceitas e outras não, que é o que acontece com o álcool e cigarro (que são lícitas) em comparação à maconha (que é ilícita). É que as drogas lícitas rendem ao governo cerca de 13 bilhões de reais ao ano, enquanto que a maconha não traz lucro nenhum ao governo, até porque eu nunca vi traficante pagando imposto.
         Você realmente acha que o governo esta preocupado com a sua saúde?